Diagnóstico precoce de autismo: a força e o amor da família de Inácio
A história de Cristian Rossi e Marcileia é uma daquelas que tocam profundamente o coração. Eles são casados, pais da Isabela, de 15 anos, e do Inácio, de 9, e há sete anos Cristian atua como representante farmacêutico no laboratório Supera. Essa família, como tantas outras, viu sua vida se transformar quando o TEA entrou em cena com o diagnóstico precoce de autismo — trazendo desafios, aprendizados e um amor ainda mais forte.
O primeiro contato com o autismo aconteceu na primeira infância do Inácio. Antes mesmo de completar um ano, os pais já notavam comportamentos que chamavam a atenção e, movidos pela intuição e pelo cuidado, começaram a investigar o que poderia estar acontecendo.
“Percebemos logo cedo que o comportamento dele era diferente do comportamento da Isabela. Ele era indiferente ao contato visual, quando ia brincar com algum objeto, algum carrinho ou algum brinquedo ele ficava girando, girando… então alguns comportamentos chamaram atenção, por isso acabamos procurando os médicos para verificar o diagnóstico dele.”
Esse foi apenas o começo de uma jornada intensa, marcada por descobertas e por uma busca por respostas.

Fonte: Arquivo Pessoal – cedida por Cristian
O diagnóstico precoce de autismo: um passo de coragem
Após conversarem com a pediatra de Inácio, o casal foi encaminhado para uma psicóloga e uma neuropediatra. Pouco tempo depois, o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi confirmado. Ainda que o mundo parecesse um pouco incerto naquele momento, Cristian e Marcileia decidiram enfrentar tudo com amor e informação.
“Após essa observação em casa, a gente leu uma matéria que falava sobre autismo e os traços e começamos a observar que tinha muita coisa ali que ele fazia, ligadas ao autismo, pra nós era um mundo totalmente novo. Não tínhamos nenhum caso na família, nenhum amigo próximo que tivesse. Fomos devagarinho, com os profissionais certos, fechando o diagnóstico dele. Foi diagnosticado antes dos 2 anos.”
A partir daí, cada passo foi dado com cuidado. Desde cedo, os pais buscaram todas as terapias possíveis, inseriram Inácio na escola e fizeram o que estava ao alcance deles para garantir que ele tivesse uma boa qualidade de vida. Com o tempo, novas descobertas foram surgindo: aos cinco anos, ele também recebeu o diagnóstico de TDAH, e passou a tomar medicação para auxiliar.
Mudanças, adaptações e persistência
“Quando foi diagnosticado, a pediatra pediu para colocar ele na escolinha para ter contato com outras crianças para ter mais estímulos e pra ele frequentar uma psicóloga infantil. Depois mudamos de Pelotas e fomos morar em Rio Grande, quando Cristian entrou na Supera. Tivemos que buscar novos profissionais. Ele entrou na clínica Neuro Educando, onde fazia TO, fono, psicopedagoga…”
Cada mudança de cidade representava um novo recomeço. Quando a família se mudou para Alegrete, novamente foi preciso encontrar profissionais e terapias adequadas para o Inácio.
Hoje, a rotina terapêutica dele é bastante intensa, mas traz resultados visíveis e valiosos:
“Atualmente passa por psicopedagoga duas vezes na semana, psicomotricista duas vezes na semana, TO uma vez na semana, e o AE da escola uma vez na semana, de manhã, que é como se fosse uma terapia.”

Fonte: Arquivo Pessoal – cedida por Cristian
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Desafios do desenvolvimento
Nem tudo foi simples nessa caminhada. Inácio demorou para falar e só deixou as fraldas por volta dos cinco anos. O diagnóstico inicial indicava autismo nível 1 de suporte, mas os pais perceberam que as habilidades dele se desenvolviam de forma muito particular: enquanto apresentava grandes dificuldades em algumas áreas, mostrava talentos impressionantes em outras.
Ele demorou para se vestir e comer sozinho, por exemplo, mas aprendeu a ler e a escrever com apenas três anos e meio. Essas diferenças exigiram paciência e dedicação nas terapias, sempre com foco em promover mais autonomia e autoconfiança.
Atualmente, Inácio é considerado nível 2 de suporte. Ele é verbal e se comunica quando precisa, embora ainda não mantenha uma conversa completa com os pais.
“ Inácio tem bastante dificuldade de interação social, ele é um amor, carinhoso, abraça… mas ele não brinca, ele gosta de estar com outras crianças, mas brinca sozinho… na escola ele tem alguns conteúdos adaptados.”
A importância do apoio escolar
Na escola, Inácio conta com uma auxiliar que o acompanha durante todo o período. Essa presença garante segurança, conforto e permite que ele participe das atividades no seu próprio ritmo. Quando precisa, ele pode sair um pouco para se acalmar e depois retorna à sala, o que tem feito toda a diferença para o aprendizado e o bem-estar dele.
A escola também tem sido um espaço de estímulos e de superação. Celebram cada pequena conquista — como permanecer mais tempo em uma atividade, demonstrar interesse em novas brincadeiras e interagir com colegas — como um marco importante.
Os encantos de Inácio
“Desde cedo Inácio gosta de tecnologia. Ele ama celular, Ipad, notebook, tudo que é ligado a tecnologia. Quando saímos com ele, gosta de ir ao clube, nadar, mergulhar. Aprendeu a nadar sozinho. Adora sair com o pai para tomar sorvete, cada vez num posto diferente pra ir na loja de conveniência, mas o sorvete é sempre o mesmo. Gosta de desbravar, brincar, correr… Adora ir na casa do vovô e da vovó.”
Esses momentos de lazer são preciosos. Mesmo com os desafios diários, Cristian e Marcileia fazem questão de proporcionar experiências que tragam alegria e liberdade. No entanto, ainda enfrentam algumas dificuldades: Inácio não tem muita noção de perigo, o que exige vigilância constante. Por isso, quando o casal precisa sair sem ele, deixam o menino com os avós paternos, onde ele se sente seguro e acolhido.

Fonte: Arquivo Pessoal – cedido por Cristian
Conquistas que aquecem o coração
Entre tantos desafios, algumas vitórias ficam marcadas para sempre. Para os pais de Inácio, a maior conquista foi ouvi-lo dizer “papai” e “mamãe” pela primeira vez.
Essas pequenas palavras, tão simples para muitos, representaram um universo de emoções.
Eles também celebram o fato de ele hoje conseguir ficar o período completo na escola, participar das terapias com mais foco e se envolver em atividades por mais tempo — algo que antes parecia impossível.
Inácio costuma ter hiperfocos que variam com o tempo: já foram bandeiras, carros, idiomas (inclusive inglês e até russo!). Esses interesses fazem parte de quem ele é e ajudam os pais a conhecer melhor seu modo singular de ver o mundo.
Um amor que transforma
O caminho até aqui foi repleto de desafios, mas também de um amor imensurável. Cristian e Marcileia aprenderam que cada etapa do desenvolvimento do Inácio é uma oportunidade de crescimento — não apenas para o filho, mas também para eles como pais e seres humanos.
“Ser pais do Inácio, nos ensina todos os dias o verdadeiro sentido da paciência, do amor e da força. Hoje pudemos compartilhar um pouco dessa caminhada e esperamos que mais pessoas entendam que o autismo não é um limite, é apenas uma forma diferente de ser.
E para os pais que estão recebendo o diagnóstico agora, isso não muda quem seu filho é, apenas ajuda a compreendê-lo melhor. Ele continua sendo o mesmo ser incrível, cheio de luz e possibilidades. O amor de vocês é o que fará toda a diferença nessa nova caminhada!”
Uma mensagem para quem está começando essa jornada
A história de Inácio e sua família é um lembrete poderoso de que o diagnóstico precoce de autismo não define limites, mas abre caminhos. Quando há amor, paciência e dedicação, cada desafio pode se transformar em aprendizado e cada conquista, por menor que pareça, se torna um motivo para celebrar.
Portanto, ser pai ou mãe de uma criança autista é descobrir o mundo com outros olhos — olhos que enxergam o valor dos detalhes, o poder das pequenas vitórias e a força que nasce do amor construído a cada etapa vencida.
💙 Essa é mais uma história inspiradora da série proTEAgonistas, do Autismo em Dia!

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