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Bullying com autistas na escola: como identificar, prevenir e combater

6 minutos de leitura

O bullying é um problema grave e recorrente nas escolas de todo o mundo. Porém, quando falamos de estudantes autistas, os riscos e impactos são ainda maiores. Isso porque, muitas vezes, suas diferenças na comunicação, interação social e comportamento tornam-nos alvos fáceis para colegas mal-intencionados. A boa notícia é que, com informação, empatia e ações efetivas, é possível combater o bullying com autistas na escola.

Neste texto, vamos falar sobre o que é bullying, por que ele afeta tanto os alunos autistas, como identificar sinais de que isso está acontecendo, além de estratégias para prevenção e combate dentro do ambiente escolar.

O que é bullying e como ele se manifesta

O bullying é caracterizado por comportamentos repetitivos de intimidação, humilhação ou agressão, seja física, verbal, psicológica ou virtual (cyberbullying). Então, o que diferencia o bullying de um simples desentendimento é a intencionalidade, a repetição e o desequilíbrio de poder entre agressor e vítima.

Na escola, o bullying pode se manifestar de várias formas:

  • Física: empurrões, chutes, roubo ou destruição de pertences.

  • Verbal: apelidos pejorativos, zombarias, ofensas.

  • Social: exclusão de atividades, isolamento proposital.

  • Virtual: comentários ofensivos, exposição de fotos ou vídeos sem consentimento.

Quando a vítima é uma criança ou adolescente autista, essas ações podem ter um peso ainda maior, pois muitas vezes ela já enfrenta desafios para compreender situações sociais e para se defender verbalmente.

Fonte: Canva

Por que alunos autistas são mais vulneráveis ao bullying

Estudos mostram que estudantes no espectro autista têm mais chances de sofrer bullying do que seus colegas neurotípicos. Isso acontece por vários motivos:

  • Diferenças na comunicação: dificuldade para compreender sarcasmo, expressões faciais ou linguagem figurada.

  • Interesses restritos: hobbies ou conversas muito específicas, que podem ser alvo de zombarias.

  • Sensibilidade sensorial: reações a barulhos, luzes ou toques podem ser mal interpretadas pelos colegas.

  • Dificuldades na leitura de intenções: nem sempre conseguem perceber quando alguém está sendo maldoso.

  • Pouco apoio social: em alguns casos, têm poucos ou nenhum amigo próximo para defendê-los.

Portanto, essa vulnerabilidade exige que a escola tenha uma postura ativa de prevenção, em vez de esperar que a vítima peça ajuda.

Impactos do bullying em autistas

O bullying pode ter consequências graves para qualquer estudante, mas no caso dos autistas, o efeito pode ser ainda mais intenso. Entre os principais impactos, estão:

  • Aumento da ansiedade e depressão.

  • Queda no desempenho escolar.

  • Isolamento social ainda maior.

  • Rejeição à escola ou até abandono escolar.

  • Crises de sobrecarga sensorial mais frequentes.

  • Perda da autoestima e autoconfiança.

Esses efeitos podem durar anos e interferir no desenvolvimento acadêmico, social e emocional.

Como identificar sinais de que um aluno autista está sofrendo bullying

Nem sempre a vítima consegue ou quer contar o que está acontecendo. Por isso, pais, professores e cuidadores precisam estar atentos a sinais de alerta, como:

  • Mudança repentina no comportamento.

  • Recusa em ir para a escola.

  • Aumento da irritabilidade ou crises.

  • Pertences quebrados ou desaparecidos.

  • Ferimentos sem explicação clara.

  • Silêncio ou retraimento nas conversas sobre a escola.

  • Regressão em habilidades sociais.

Portanto, quanto mais cedo o bullying for identificado, mais rápido é possível agir para proteger o estudante.

O papel da escola na prevenção

A escola é um espaço fundamental para promover inclusão e combater o bullying. Por isso, algumas medidas eficazes incluem:

  • Políticas claras contra o bullying, com punições definidas.

  • Treinamento de professores e funcionários para identificar e lidar com casos.

  • Ações educativas com os alunos sobre respeito, empatia e diversidade.

  • Atividades de sensibilização sobre o autismo e outras condições.

  • Canais seguros de denúncia, onde a vítima ou testemunhas possam relatar o caso.

Além disso, promover atividades que incentivem a colaboração e o trabalho em grupo ajuda a criar um ambiente de respeito e acolhimento.

Como pais e responsáveis podem ajudar

Os pais e responsáveis também têm papel essencial para apoiar o filho autista. Algumas ações importantes são:

  • Manter diálogo aberto e constante sobre a rotina escolar.

  • Observar mudanças de comportamento.

  • Ensinar estratégias de autoproteção, como procurar um adulto de confiança.

  • Trabalhar em conjunto com a escola para encontrar soluções.

  • Incentivar a participação em grupos ou atividades onde o estudante se sinta seguro.

Estratégias para empoderar o estudante autista

Embora a responsabilidade principal seja da escola e da sociedade, também é possível ajudar a criança ou adolescente a desenvolver recursos internos para enfrentar situações difíceis:

  • Treinar habilidades sociais com apoio terapêutico.

  • Ensinar frases de resposta para situações de ofensa.

  • Trabalhar a autodefesa de forma não violenta.

  • Reforçar sua autoestima por meio de conquistas pessoais.

O papel da comunidade

O combate ao bullying não é responsabilidade apenas de pais e professores. A comunidade como um todo — colegas de classe, vizinhos, familiares — deve ser incentivada a criar uma rede de apoio. Portanto, falar sobre o tema, compartilhar informações e promover espaços de convivência inclusivos são passos importantes para reduzir o preconceito e a violência.

O bullying com autistas na escola pode ser combatido

O bullying contra autistas na escola é um problema sério, mas que pode ser prevenido e combatido com informação, ação e empatia. Por isso, ao reconhecer a vulnerabilidade desses estudantes, garantir políticas de proteção e promover uma cultura de respeito, damos passos importantes para construir um ambiente escolar mais seguro e acolhedor para todos.

Portanto, investir em inclusão não é apenas cumprir um dever legal — é transformar a vida de crianças e adolescentes, garantindo que eles possam aprender, conviver e se desenvolver com dignidade e respeito, de fato.

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Referências:

1- Gov.br – acesso em 11/08/2015

2- Anti bullying alliance – acesso em 11/08/2025

3- Unesco – acesso em 11/08/2025

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