Sinais de autismo: Conheça o proTEA Augusto!
Nesse texto vamos conhecer a história de Aline Regina Bernardi e seu filho Augusto. Ela é natural de Dois Vizinhos (PR), mudou-se ainda na infância para Itajaí (SC), onde cresceu e viveu até ingressar na faculdade. Mais tarde, foi para Curitiba cursar Engenharia Ambiental, cidade onde construiu sua carreira na área de projetos em uma empresa multinacional. Em 2017, nasceu Augusto e, aos 3 anos, surgiram os primeiros sinais de autismo. Aline é casada com Diogo, que se tornou um pai de afeto para Augusto. Atualmente, a família voltou para Itajaí, onde também vivem os pais de Aline.
A chegada de Augusto e os primeiros anos
Até os 3 anos de idade do Augusto, Aline nunca cogitou a neurodivergência, pois ele sempre concluiu no tempo esperado os marcos de desenvolvimento. No período de gestação também não teve intercorrência. Durante o período como bebê, ele engatinhou, mamou exclusivamente no peito, nunca apresentou dificuldade de olhar nos olhos, balbuciou e começou a andar um pouco antes de 1 ano de idade, ou seja, até então não havia sinais de autismo.
Os desafios da alimentação e do sono
Durante a pandemia, Augusto ingressou em uma escola infantil, um pouco antes do lockdown. Na escolinha, foi muito difícil sua adaptação, pois ele não comia e ficava horas sem se alimentar. Na visão de Aline, era como se ele não tivesse interesse em comer. Ela tentou várias técnicas para incentivá-lo a se alimentar melhor. Outro ponto de atenção era a questão do sono.
“Aí lá ia eu fazer curso de higiene do sono. Seguindo todas as dicas para melhorar a questão do sono, eu testava e tentava. Pra mim era muito custosa essa questão porque eu tinha que trabalhar no dia seguinte. Então, conseguir ter uma boa noite de sono para o Augusto era complicado, pra mim também dificultava… Quando eu compartilhava, as pessoas falavam que se ele tivesse fome, ele iria comer, se tivesse sono, ele iria dormir, criança é assim mesmo… por ser meu único filho, acabava que eu não tinha referência.”

Fonte: Arquivo Pessoal – cedida por Aline
Primeiros sinais de autismo e a busca por respostas
Com a pandemia, Aline optou por tirar Augusto da escola. Fez uma tentativa de aulas em casa e conseguiu uma babá que, na época, era professora de uma escola que fechou. Ele continuou tendo pouco contato social. Quando a flexibilização começou e passaram a frequentar lugares com mais pessoas, Aline notou que Augusto ficava receoso.
“Ele ia num parquinho e, se chegava uma criança, ele parava de brincar, ficava ansioso na presença de outra criança, se fechava. Pensei se poderia ser consequência do distanciamento social devido a pandemia. Eu também percebia que, se eu chamava ele, me ignorava algumas vezes. Cogitei se era alguma desatenção ou se simplesmente não estava me dando bola.”
O impacto da pandemia no desenvolvimento de Augusto
Nesse período, Aline evitava consultas médicas, pois Augusto não tinha problemas de saúde. Quando voltou a normalizar, fez uma consulta com um pediatra e comentou sobre as dificuldades alimentares e sua preocupação com o desenvolvimento físico do filho. O médico a orientou a procurar uma neurologista.
“Aquilo não fez sentido, não cogitava isso, porque todos os marcos do desenvolvimento e o que escutava sobre autismo, eu não via características nele.”
O diagnóstico de autismo: um novo olhar para o filho
Augusto passou por uma bateria de testes com uma equipe multidisciplinar, até que veio finalmente o diagnóstico: Autismo Nível 2 de suporte.
“O sentimento que eu tive com o diagnóstico foi de ‘Ufa, agora posso relaxar, pois sei com o que estou lidando e tenho uma direção para agir’… pra mim, minha vontade em compreender meu filho superou qualquer frustração; ao contrário do que se imagina, foi um conforto receber o diagnóstico de autismo, por entender finalmente o que era e o que poderia fazer pelo meu filho dali pra frente.”
O papel fundamental da rede de apoio
Na época do diagnóstico, Aline estava se divorciando, e muitas dúvidas surgiram sobre quais profissionais confiar. Falou abertamente no trabalho e encontrou apoio, inclusive da sua chefe, que indicou uma fonoaudióloga. A partir dela, formou uma rede de apoio com outros profissionais.

Fonte: Arquivo Pessoal – cedida por Aline
Evolução e conquistas com as terapias
Dois pontos fortes no tratamento de Augusto foram a rigidez e a comunicação. Com as terapias, ele passou do Nível 2 para o Nível 1 de suporte. A previsibilidade organizada ajudou na flexibilização e autorregulação.
Augusto e seus hiperfocos: a paixão pelos livros e gibis
Augusto é muito amoroso e gosta de contato físico. Seu hiperfoco são os livros, principalmente os gibis. Ele chega a decorar histórias, repetindo com entonação idêntica.
Incentivando desafios e descobertas no dia a dia
Augusto gosta de conversar com pessoas diferentes, tem um repertório padronizado de perguntas e é muito curioso. Ele tem receio de desafios grandes, mas Aline e a família o incentivam sempre, ajudando-o a superar seus medos. Diogo, seu pai de afeto, é um grande incentivador: “Ele o ensinou a andar de bicicleta sem rodinhas e agora estão treinando o surfe”. Com esse apoio, Augusto vai descobrindo novas habilidades e ganhando confiança para enfrentar os desafios que aparecem.

Fonte: Arquivo Pessoal – cedida por Aline
A ideia de um aplicativo
A ideia do aplicativo surgiu em uma viagem, quando estavam na Espanha. Os pais apresentaram pra ele o aplicativo Duolingo, pois Augusto gosta muito de se comunicar.
“Ele jogou algumas vezes pra tentar aprender algumas palavras em Espanhol, começando com termos básicos. A questão que mais pegava pra ele era como utilizar as frases com função. Ele se aproximava de outra criança e já fazia uma frase em espanhol… a gente percebia seu desejo de fazer amizades e tentávamos explicar como iniciar uma conversa antes de perguntar algo diretamente. Mas, na prática, a interação social continuava sendo um desafio… final de Dezembro, perto do Natal, conversando com meu marido a gente tentando achar as alternativas veio a ideia: E se a gente fizesse um aplicativo para ensinar a linguagem das habilidades sociais?”
Como o seu marido já tinha experiência com empreendedorismo e até com desenvolvimento de jogos digitais, achou a ideia ótima e começaram a colocar em prática.
” Ele começou a fazer desenhos no próprio computador, colocando algumas atividades para o Augusto praticar. Eu entrava em contato com terapeutas que já tinham atendido Augusto, perguntava pra elas quais jogos elas indicavam, pegava também os vídeos de sessões de terapias, olhava como eram os jogos e atividades que a terapeuta fazia com ele em consultório e aí juntava tudo isso, o Diogo pegava a ideia da dinâmica e transformava para o digital e o Augusto era quem testava tudo que estava sendo desenvolvido.”
Durante os testes, o Augusto participava brincando com o futuro aplicativo e eles sempre observavam o que poderiam aprimorar.

Fonte: Arquivo Pessoal – cedida por Aline
A confirmação que a ideia funcionou
“Nós colocávamos propositalmente situações que ele vivenciava, como por exemplo, abordar uma criança e pedir um brinquedo emprestado. Teve um dia que após jogar algumas vezes ele foi abordar uma criança, pediu o patinete que ela estava andando… a gente viu a criança confirmando com a cabeça, que tudo bem… ele pegou o patinete, andou de forma bem organizada, e volta com o patinete. Nessa hora a gente olha um para o outro, numa euforia, pois ele fez exatamente o que a gente tentava ensinar, somente com as instruções do Mirimim ele conseguiu conduzir sozinho.”
Logo em seguida, Augusto largou o patinete sem devolvê-lo à outra criança e sem se despedir. Nesse momento, perceberam mais uma oportunidade de ensiná-lo sobre a importância de concluir a interação de forma adequada. Essa experiência também contribuiu para aprimorar ainda mais as atividades que fariam parte do futuro aplicativo.
” Começamos a criar os jogos, olhando todas as situações que ele estava vivenciando, aquilo que a gente entendia que seria importante estar treinando para depois praticar na vida real.”
Como surgiu o nome Mirimim
O nome do aplicativo teve participação do Augusto. Que surgiu até antes da ideia do aplicativo.
“A gente estava em casa, tentando praticar algumas coisas importantes para o Augusto desenvolver, que era a questão da abstração, ele tem muita dificuldade de identificar o que é real e o que não é real… então na brincadeira de criar um personagem para treinar a questão da abstração, explicamos que o personagem não precisava ter dois olhos e uma boca… pode ter quantos olhos quiser, quantos braços quiser. Essa rigidez de pensar em algo fora do padrão era muito difícil pra ele. Fazendo esse exercício perguntamos como seria o nome desse amigo imaginário e ele deu o nome de Mirimim, até desenhamos o personagem que ele criou. Depois de dois meses quando veio a ideia do aplicativo o Diogo trouxe que o nome deveria ser Mirimim, o boneco imaginário que criamos juntos.”

Fonte: Arquivo Pessoal – cedido por Aline
Mirimim criando forma
Durante janeiro de 2025, começaram a realizar testes com Augusto em casa, focando no desenvolvimento de habilidades essenciais. Utilizaram imagens da internet para criar historinhas e resgataram atividades que ele já havia feito. Ao compartilhar esse material com terapeutas e outras pessoas, perceberam seu potencial como um produto útil para outras famílias. As próprias terapeutas começaram a dar feedbacks sobre recursos que poderiam ser incorporados ao aplicativo.
“Fizemos a página no Instagram e começamos a falar mais abertamente sobre a possibilidade de tornar a ideia um aplicativo, para que outras famílias pudessem ter uma ferramenta para ajudar no desenvolvimento dos seus filhos e filhas para conseguirem atingir marcos do desenvolvimento.”
O principal objetivo deles é ampliar o acesso ao aplicativo para mais clínicas e profissionais, permitindo que a ferramenta seja utilizada como um complemento às terapias oferecidas ou até como um primeiro passo para a intervenção de crianças que ainda não têm acesso imediato aos atendimentos especializados.
Principal aprendizado e desafios com o Autismo
Para Aline, a questão do autismo veio com a pergunta: Como eu vou dar conta? Mesmo tendo uma rede de apoio, ela relatou que muitas vezes era ela com ela mesma. Tentando conciliar as demandas, carreira, escola e o dia a dia.
“Surgiram muitas dúvidas, pois somos bombardeados com informações quando a descoberta vem à tona. Mas o que o autismo trouxe de grande aprendizado foi de que é possível fazer muitas coisas quando aceitamos ele. É possível conviver com o autismo de uma forma, que não vai ser leve, porque sempre vamos estar buscando o desenvolvimento a cada dia, principalmente com criança, parece que não podemos perder tempo… mas existem saídas e foi justamente nessa esperança de que existem olhos, pessoas e profissionais que o próprio Mirimim surgiu.”
Ela ainda acrescenta: “O aprendizado é que dá pra fazer muita coisa para que o autista tenha um equilíbrio, que não deixe de ser quem ele é… o Augusto quer ter um amigo, quer poder brincar , ele só precisa de ferramentas que ensinem ele, que ajudem ele… são com pessoas que tem essa mesma visão que a gente quer estar junto. Pra levar esperança para as famílias que hoje podem estar aflitas, sem conseguir um tratamento, que estão na dúvida se estão fazendo certo. Olhando pra trás tudo que o Augusto já conquistou, todos os avanços que ele teve, desde coisas simples, como conseguir se alimentar…até conseguir fazer um amigo, que hoje estamos numa cidade nova. Então junto com ele estamos treinando para ele conseguir ter a conexão que ele espera. São pequenos avanços que tenho certeza que com as pessoas certas ao nosso lado, outras conquistas ainda virão.”
Uma mensagem de incentivo para cuidadores
“No meu dia a dia, sempre busco colocar em prática o que compartilhei na entrevista: estamos tão focados nas crianças que, muitas vezes, esquecemos de olhar para nós mesmos. Por isso, a mensagem que quero deixar é simples, mas poderosa: cuide de você também. A ideia de que precisamos estar bem para oferecer o nosso melhor é verdadeira e essencial. Houve momentos em que precisei de ajuda, e foram as pessoas ao meu redor que me mantiveram firme, me permitindo estar presente e forte para o que meu filho precisava. Cuidar de si não é um luxo, é uma necessidade. Quando estamos bem, conseguimos oferecer o melhor tratamento, o melhor apoio e, acima de tudo, nossa melhor versão como exemplo. No fim, o que precisamos dar para as crianças, típicas ou atípicas, é o nosso amor.”
Para conhecer melhor o aplicativo Mirimim é só acessar o site e acessar o Instagram!
Essa foi a história de Aline e Augusto. Esperamos que você tenha gostado!
Obrigado pela leitura e não deixe de acompanhar outros conteúdos do Autismo em Dia, tanto aqui no site como em nosso Instagram. Até a próxima!
Muito bom o artigo e, com certeza, ajudará as famílias que precisam desse apoio, desse compartilhamento.
Verdade, Regina 💙
Parabéns Aline por essa sua trajetória, pela resiliência e força!!! Muito sucesso nesta jornada de empreendedorismo com um propósito tão nobre!!!!
Olá, Obrigada! 💙